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Privacidade nas Redes Sociais – Parte I

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Ah, aparentemente essa é uma ótima hora para escrever esse texto (em tempos de protestos e compartilhamento excessivo de informações). O que segue é uma pequena compilação de recomendações minhas para você não se expor demais nas redes sociais. E, principalmente, não fazer besteiras. Despertar a consciência alheia um pouquinho. Acho que isso vindo do meu ponto de vista é um ótimo exemplo, porque eu já fui de ocultar tudo meu na web o máximo possível, de forma extremamente radical (OK, aparentemente não estou mais fazendo isso, senão não teria um blog nem conectaria twitter ao facebook).

Um pouco de background (ou off-topic, se preferir):

A primeira coisa que você tem que fazer é jogar um pouco de água na própria cara para acordar. Você está na web 3.0 (bom, eu chamo assim…web 1.0 = páginas HTML feias e estáticas, web 2.0 = começam a surgir os primeiros blogs e sites agregadores de conteúdo como digg e reddit, web 3.0 = tempo de redes sociais e de estar super conectado, smartphones, sincronização, INFORMAÇÃAAAAO). Isso não é qualquer porcaria.

Armazenamento é uma coisa ridiculamente fácil hoje em dia. Tanto para você, adquira-hoje-e-já-seu-HD-de-1-TB, quanto para datacenters e servidores espalhados pelo mundo. Isso é coisa pra caramba se comparado à epocas atrás onde memórias de alguns KB eram um paraíso.

Bom, combinando web 3.0 e armazenamento, chegamos à formula principal: dados persistentes. Ou, numa forma mais popular: caiu na rede, é peixe! Absolutamente quase tudo que é postado na web hoje em dia não é perdido. Twitter, Facebook, Evernote, Sites de Notícias, Google+, até mesmo seu querido orkut (ops, o que é isso? fantasma?). Está tudo guardado em algum lugar. Mesmo que você aperte o botão de delete. O botão de delete é uma ilusão. The cake is a lie. Então, é extremamente importante tomar cuidado com o que você posta na web.

E mais: se antigamente todo mundo dizia que a web era anônima e tudo o mais, isso se torna cada vez menos verdade. Pelo menos da forma que a maioria das pessoas hoje as utiliza. Você, ao navegar em vários sites estando logado no facebook, no twitter e no google (só para citar as 3 maiores e mais populares redes) simultaneamente, está sendo trackeado praticamente em toda a sua navegação. Ser trackeado = ser rastreado, monitorado. Pelo menos no que diz respeito às páginas que você visita e ao seu estilo de navegação (quanto tempo você fica em dada página, etc). Isso gera um problema enorme de privacidade. E é isso que gera renda para essas grandes empresas. Ao analisar o seu hábito e estilo de navegação e seu histórico de páginas, elas podem disponibilizar as propagandas mais adequadas para você. Quanto mais tempo passa, mais as propagandas ficam precisas (pelo menos na teoria) e, portanto, mais provável é que você se interesse – e compre – algum produto personalizado divulgado por eles e, assim, mais dinheiro eles ganham e, então, mais monitoramento (…) e ficamos nesse círculo vicioso que vai crescendo cada vez mais.

Se você chegou até aqui, você entende porque eu escrevo pouco. É porque quando eu escrevo, eu escrevo demais haha. Continuando. Mesmo que você não compre um produto pela internet com cartão de crédito, só o fato de você ver o mesmo produto toda hora já causa uma implicação psicológica, de modo que o produto começa a ficar implantado na sua cabeça, e isso já é suficiente para gerar a renda para essas empresas. Não precisa nem ser com um produto diretamente. Será que você, no Facebook, ao ver tantas solicitações de jogos (dos mesmos jogos, ou não), nunca parou para tentar jogá-lo? A ideia é essa. Repetição implica consumo no final das contas. A menos que você esteja consciente, é claro. No Facebook eu particularmente nunca fiz isso, mas já fiz no orkut. Já perdi tempo jogando várias porcarias de lá, mas pelo menos aprendi alguma coisa com isso. Agora tenta ensinar isso a todo mundo, não é fácil. Até todos aprenderem, essas empresas já ganharam renda suficiente.

Bom, eu só falo de renda alheia, isto é tão grave assim??? Você pode dizer: os serviços são de graça, não são? Então não é justo que eles se sustentem? Talvez. Mas será que você não se incomoda em expor seus dados? Mesmo que você não se considere tão importante assim, mesmo que você não tenha tantos dados assim. Com o tempo, fica uma quantidade absurda, enorme, gigante. Já teve o caso de um cara que requestou seus dados para a rede social (facebook) e obteve cerca de 900 páginas de toda a sua biografia detalhada. Isso porque ele só a usava em torno de 3 anos. Não me lembro o nome dele, mas se você procurar pela internet vai encontrar (é claro, nada some de lá…).

Quer fazer esse teste? Vai no seu facebook agora. Você tem um, certo? A probabilidade de você ler isso sem possuir um é mínima. Caramba, até onde chegamos. Todo mundo tem isso. Bom…vai lá no seu facebook. Entra nas configurações. O facebook muda as suas configurações de lugar o tempo todo, então não adianta ser muito preciso aqui. (Ah, ele faz isso propositalmente, OK?) Procure “configurações de conta”, lá na engrenagem, na parte direita superior. Agora procure, na parte geral, uma opção escrita baixar uma cópia de seus dados do facebook, ou similar. Espere o servidor deles processar isso e depois veja, espantado, o quanto de sua vida lá está. Inclusive os chats e logs de conversa desde que você entrou na rede social. Absolutamente nada some, mesmo que você queira isso.

OK, agora que você está triste (ou feliz?) por ter revisto todos os seus dados, postagens, opções curtir e conversas antigas (o quê? Como assim você curtiu essa página X? Você jurava que não gostava mais daquilo e tinha esquecido isso…mas tá tudo no seu log. Gostou de X uma vez, gostou de X sempre. Não, você pode até descurtir, mas vai sempre ficar registrado que você já curtiu uma vez), vamos ver o que podemos fazer acerca disso. Esse post é apenas uma introdução, na parte II dele eu vou detalhar mais coisas. Isso é só para você não ficar chateado porque chegou até aqui e não fez nada.

Facebook

Olhe o público das suas postagens. Veja se elas estão como públicas, para amigos ou para amigos de amigos (ou para somente você, seu paranoico…não use o facebook para salvar links!). Em geral, é melhor colocar apenas amigos. De vez em quando você pode colocar público, caso queira transmitir algo maior. Eu estou falando isso, mas o que eu mais vejo são pessoas na minha timeline postando coisas que não deveriam para o público. Inclusive fotos delas. E a maioria dessas pessoas não tem muita consciência do que está fazendo. Algumas até têm. Ou acham que têm. Bom…fica a dica, veja e reveja o público das suas postagens. (Se você é um usuário expert, sim, essa dica é ridícula. Aguarde a parte II para algo mais avançado.)

Twitter

Quantos tweets você tem?? 1.000? 200? 10.000? Se o seu perfil do twitter é aberto, a menos que você seja uma celebridade ou tenha necessidade de aparecer (falando sério mesmo, de repente você não é artista mas tem um blog ou um vlog ou então produz algum conteúdo importante), eu não recomendo acumular tweets. Tem alguns twitteiros que consideram o número de tweets uma reputação nessa rede social, mas isso é uma tremenda bobagem. Eu recomendo que você apague os seus tweets antigos periodicamente. Mas pera aí, você quer que eu delete um por um, Thiago??? Não poxa, é claro que não. Existem algumas ferramentas automáticas (grátis) que fazem isso para você (como http://www.tweetdelete.net/). Cuidado! Não confie em qualquer aplicação! Essa daí eu mesmo testei, e aparentemente ela é OK.

Mas eu não falei que os dados não somem? De que adianta deletar os tweets? Bom, adianta que pelo menos só o próprio Twitter vai ter acesso a eles (não, você não os realmente deletou). Você só aparentemente os deletou. Pelo menos outras pessoas não vão ter acesso a eles.

Esse é o fim da parte número I desse post. Foram apresentadas brevemente (mesmo?) algumas informações sobre redes sociais. Elas não estão escritas de forma neutra, muito pelo contrário, deixo claro (desde o primeiro parágrafo) que estou influenciando meu ponto de vista nelas. Você não precisa concordar com tudo o que está aqui; afinal, isso não é um conteúdo absoluto. Ele é completamente passível de discussão e admite plenamente outros pontos de vista. Se você discorda de alguma coisa ou deseja fazer algum comentário, sinta-se à vontade para isso.