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Linux no SSD: minhas configurações

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Uns dias atrás eu decidi instalar o Linux no meu SSD. Não fiz isso antes porque achei que o caching do Windows que vem por default poderia me ser útil algum dia. Bom…esse dia não chegou até hoje. Pessoalmente, acho que isso (isso = fast boot + Intel Rapid Start no SSD) é mais marketing pra vender aparelhos do que realmente é útil ou eficiente na prática. Na verdade, é um marketing ótimo, pois parece realmente convencer muita gente.

  • “Olha, minha máquina boota em 5–9 segundos!”

  • “Que legal, hein!”

Quantas vezes ao dia você passa bootando sua máquina? O tempo de um único acesso ao Facebook ou qualquer outra rede social é o tempo que você esperaria numa máquina old-school, sem essas firulas (20–50 segundos?), até mesmo mais que isso. Então dizer que é “para otimizar o tempo” é bobagem.

Edit: esqueci de dizer que o SSD é de 32GB, conectado em mSATA, e o HDD de 500GB.

Então, vamos ao título: eu deletei as 2 partições do SSD concernentes ao Windows. Uma era HFS, a outra eu não sei. Não pude ver nem pelo gerenciador de discos do Windows nem pelo gparted ou cfdisk do Linux.

Imediatamente criei duas partições lá: uma /boot, sistema de arquivos ext4, com 512MB (isso é maior do que o necessário; metade disso poderia ser suficiente. Mas, se você pensa em brincar ou usar/bootar múltiplos kernels, pode ser interessante dar uma pequena folga); e, a outra, a root (ext4 também). Resolvi preenchê-la com todo o espaço restante (~31 GB). Uma outra opção seria criar duas partições: /usr e /, a primeira em torno de 7–12 GB e a root com o restante. Isso varia a gosto e a propósito de uso do leitor.

Motivo: o SSD é mais eficiente para leitura do que para escrita. Na verdade, ele tem um número limitado de ciclos de escrita. Então é melhor deixar lá apenas o que for referente ao sistema operacional. Arquivos que tendem a variar mais, como os de /var e /home, é melhor deixá-los no HDD.

Então, no HDD, eu criei /var com 12GB, uma partição extra com ~20GB (no caso que eu precisar instalar outra distro) e o restante para /home (~200-1000 GB dependendo do tamanho do HDD).

Depois, é só proceder a instalação como você faria normalmente. Só não se esqueça de montar as 4 partições e depois adicioná-las ao /etc/fstab (especialmente se você estiver instalando uma distro pela linha de comando - leia Arch ou Gentoo).

Ah, não faz diferença se for GPT/EFI ou MBR. No sentido das partições, que quero dizer. A diferença se dará basicamente apenas na hora de instalar o bootloader (provavelmente o GRUB(2)). Na verdade, tende a ser melhor optar por GPT/EFI por ser mais moderno e tudo o mais, mas isso é de cada um; eu particularmente escolhi MBR (o leitor atento percebeu que eu não criei nenhuma partição de EFI).

Tweaks #

Existe muita paranoia por aí falando que seu SSD pode morrer logo se não for usado direito, e blábláblá. Ele realmente pode ter uma vida útil menor, mas não é tanto quanto alguns lugares dizem por aí. Diria que ele vai durar no mínimo a quantidade de anos até a troca de aparelho (ah, a obsolescência tecnológica...).

O tweak mor é o que eu falei antes: usar o SSD mais para ser lido do que para ser escrito. Isso já foi garantido durante a etapa de instalação.

Um pequeno tweak alternativo é dar TRIM no SSD de vez em quando. Recomendo fortemente a leitura disso na wiki do Arch (em inglês). Basicamente, você pode fazer isso via cron ou ao montar as partições do SSD. Uma outra leitura interessante está no Reddit (em inglês, também).

E, no final das contas: entender que um SSD funciona de maneira diferente de um HDD é um ótimo progresso.

Primeiras Impressões #

Ainda não testei o suficiente para poder falar sobre isso, mas tenho que dizer que o sistema fica realmente mais rápido rodando a partir do SSD. Consigo até 10s de boot com um pouco de esforço (mas, como eu disse, isso não é realmente importante pra mim, até porque depois de adicionar vários targets do systemd esse tempo vai aumentar ligeiramente). O que demora mais é a checagem do fsck. Talvez com btrfs pudesse ficar mais rápido ainda. Mas não acho que tanto. De qualquer modo, o tempo de inicialização do XFCE é em menos de 1s (acho). Mas está tudo vanilla ainda, só vale mesmo medir os tempos quando os programas que realmente uso estiverem instalados.

Ah, conclusão, e o Windows? Bom, para dual bootar a /home deveria ser reduzida. E o bootloader teria que ser ajustado. Se for instalação com EFI, teria que ter uma partição de EFI também. De preferência seria melhor instalar o Windows primeiro, mas o contrário também poderia ser feito (alerta: dá mais trabalho). Eu vou virtualizá-lo no VirtualBox. Provavelmente rodando o openbox quando precisar de muita memória.

Update (2014-12-16): hoje em dia eu faço assim: todo o meu SSD fica para a raiz (30GB para /), sem partição de boot. O formato de arquivos que eu utilizo é o btrfs, que possui algumas otimizações para SSDs.