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Software e outras coisas livres, revisitados - Parte 0.0.01

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Provavelmente não é novidade de que eu sou entusiasta de software livre (na verdade, pode ser open source também). Também, provavelmente, não é novidade de que a maioria das pessoas não está nem aí para isso (acredite, isso não é necessariamente algo ruim – não que seja bom out-of-the-box também). Também, saiba de antemão que esse post é épico e completamente descontínuo, então não espere ler o seu conteúdo de maneira síncrona e bonitinha, existe todo um mar de ideias cá misturados, e essas ideias se interrompem o tempo todo, então você vai lê-las de maneira coerente porém não necessariamente coesas. OK.

Por que não é necessariamente ruim? Ora, porque veja o caso do próprio Linux, ele foi ficando mais popular, e por isso chamou a atenção de diversas empresas (ya know, Google, Steam, blablabla…) e, acredite, isso não é algo suuuuuper bom. Também não é algo ruim (ah, esse ciclo). Existe um excelente post (recente) do blog IgnorantGuru que fala sobre isso (eu não vou incluir o link aqui, faça o seu dever de casa e vá pesquisar, incluir links implica em interrupção de ideias (mais ainda)).

Então, voltando ao tópico principal (existe um?), eu queria falar um pouquinho sobre princípios. Até que ponto vale a pena ser um entusiasta de software livre / open source? Não apenas software, mas também da filosofia, do estilo, da comunidade. Até que ponto vale a pena se comprometer e dizer que gosta disso? Aí você instala um softwarezinho proprietário aqui ou ali que eu sei, e depois usa blobs binários no kernel ou blablabla, dá mesmo para ser 100% livre / open source? Tudo isso merece reflexão.

Bom, aqui na Campus Party 7 (melhor referenciada como CPBR7) eu tive a oportunidade de entrar em contato e assistir a palestras de diversas entidades livres (well, entidade livre não é bem um termo 100% correto, mas OK). Dentre elas, teve o time da Mozilla do Brasil, o Partido Pirata do Brasil, e – bom – várias pessoas que também se dizem entusiastas dessas coisas. E então, depois de quase 2 anos iniciado nesse mundo de Linux, liberdade e tudo o mais, essa foi essencialmente a minha primeira oportunidade de entrar em contato na prática com pessoas que gostam, apoiam e lutam por esse tipo de causa.

Isso talvez (talvez? hummm) se misture um pouco com política, com ideologias e etc, mas a questão é que, ao se relacionar com esse pessoal, você realmente aprende a distinguir as pessoas que dizem se importar com essas coisas das que realmente têm paixão pelo que fazem e/ou lutam. E isso tudo é muito bom, porque te faz refletir sobre as suas próprias ideologias e de tentar encontrar o seu lugar no mundo.

Atualmente eu me considero um membro ativo da comunidade do Arch Linux, procurando participar dos fóruns de discussão e reportar bugs de forma regular (de forma menos regular, editando (melhorando!) a Wiki também). E, depois da CPBR7, eu estou seriamente pensando em largar o Chromium e voltar para o Firefox. Na verdade, mais do que isso, também procurar fazer parte do time da Mozilla do Brasil. Se isso vai acontecer, eu realmente não sei, o futuro é imprevisível, mas definitivamente é uma possibilidade. Em particular, eu participei do hackathon do Firefox OS, e gostei bastante da simplicidade dele (me lembra da simplicidade do Arch!). É incrível, eu desenvolvi um aplicativo para Firefox OS antes de desenvolver um aplicativo para Android. Hummmm, provavelmente algo está errado (ou certo?).

De qualquer modo, eu aprendi com a comunidade do Arch que não é necessário você fazer parte da comunidade de maneira oficial para contribuir com um projeto. Lá nos meus primórdios, eu sempre pensei em participar da comunidade do Ubuntu – sabe, é bonitinho, você pode colocar no Facebook, no Google+, no seu portfólio pessoal (“sou um membro XXX com a função YYY na comunidade do Ubuntu”) mas, sinceramente, isso é uma tremenda bobagem. Bobagem, que eu digo, é ter o rótulo “sou membro XXX”. Você não precisa de rótulo. Rótulo é coisa de capitalismo, é coisa de mercado. A menos que você precise de investidores, isso é extremamente desencorajado. Enfim, para se integrar, basta se integrar! Esperar um rótulo é um erro grave.

Existem várias maneiras de se integrar com comunidades livres. Uma delas é simplesmente participando mais de discussões sobre isso (IRC, fóruns de discussão, github, reddit – acredite!, listas de e-mail. Muitas pessoas (novas) se sentem desconfortáveis com isso, talvez porque as portas de entrada (‘interfaces’) para esses canais de comunicação não sejam (não pareçam, na verdade) tão amigáveis, tão Web (2, 3). Maaaaaaas isso não quer dizer nada.

Vejamos o que mais. Já escrevi bastante. E não, não falei nada, esse é um post de reflexão. Mas eu não precisava dizer isso para que você percebesse isso, certo? Parar de rotular os posts provavelmente também pode ser uma boa ideia. Na verdade, eu costumo fazer isso com certo equilíbrio, porque nem sempre é fácil de perceber a verdadeira intenção por trás de um texto simplesmente pelo texto. Existem alguns elementos não-verbais que não podem ser expressos direito verbalmente. O meu uso (provavelmente) excessivo de parênteses interrompendo o texto é uma forma (você já sabe, não é?) de tentar contornar essa situação e que, a meu ver, é bastante efetiva (apesar de que eu não recomendo que você escreva com excesso de parênteses em meios de comunicação relativamente mais formais).

Vou parar de escrever aqui, depois eu faço (ou não (…)) uma continuação desse post.

Escrito no Emacs.