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Era uma vez...kernel panic, uma história de amor (Parte 1)

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Eu comecei a escrever esse post faz uns 3 meses, no dia dos namorados desse ano (isso explica o título sugestivo do post). Mas tinha desistido porque eu não ia conseguir expressar, na época, todas as ideias que eu queria. E nem vou hoje, se querem saber. (Saber) expressar todas as ideias é uma arte difícil! Mas decidi editar o post e acrescentar mais algumas coisas nele para publicá-lo, anyway.

Por sinal, devo dizer que escrever um post para lê-lo três meses depois faz com que você aprenda bastante e reflita sobre sua própria maneira de se expressar! Bom, segue o post abaixo. Desafio o leitor atento para perceber a diferença do que eu escrevi hoje e do que eu escrevi três meses atrás.

Nesse post vou falar um pouco sobre a minha (não apenas a minha) experiência com GNU/Linux. Em particular…dos momentos mais difíceis!

Antigamente as coisas eram mais difíceis para a galera open source. Mas que coisas? Estou falando do hardware. Era extremamente difícil encontrar drivers apropriados para os hardwares da época. Placa-mãe, placa de vídeo, placa de rede, placa de som…ah, são tantas placas!

Então a comunidade open source começou a escrever os seus próprios drivers. Isso parecia que não iria dar muito resultado no começo mas, hoje em dia, graças ao esforço dela, hoje temos uma compatibilidade de drivers muito grande com os kerneis atuais do GNU/Linux. Muito grande não significa 100%! Apesar da maioria das distros de GNU/Linux ter facilitado bastante seu processo de instalação e funcionar muito bem hoje em dia out-of-the-box (por exemplo, o Ubuntu), sem precisar de uma busca específica por drivers e da instalação dos mesmos manualmente – e, pior ainda, a compilação de alguns componentes dos mesmos – nem tudo são flores.

Ainda vejo por aí algumas pessoas com dificuldades em ter um ambiente GNU/Linux 100% funcional. Especialmente em hardware mais recente. O grande problema é que as grandes companhias se recusam (em geral) a disponibilizar drivers abertos para GNU/Linux. Daí, fica mais trabalhoso para a comunidade…

Um bom exemplo é a AMD. Ela tem seu driver proprietário, o famoso catalyst, frequentemente conhecido por ter alguns problemas (cinnamon, Elementary OS, Bugs no Launchpad). O driver ser proprietário significa que seu código não é aberto, o que é ruim, já que ele não pode se beneficiar das melhorias que a comunidade open source poderia lhe proporcionar. No entanto, essa questão é um dilema para a empresa, porque abrir seu código fonte pode potencialmente implicar em que outras empresas concorrentes descubram seus segredos de produtos, possivelmente criando prejuízos à AMD. A questão de software open source de empresas SEMPRE vai ter esse dilema. Naturalmente, não é necessário utilizar o driver proprietário da AMD (hoje na versao 13.8 BETA). Também é possível utilizar os drivers da própria comunidade. Só que esses drivers são genéricos e, na maioria das vezes, não tiram todo o proveito da sua placa gráfica, o que significa que o suporte a 3D, dentre algumas possíveis otimizações, não serão completamente (ou sequer) aproveitados.

E, ainda hoje em dia, é bastante surreal rodar um ambiente COMPLETEMENTE, 100% livre (ou mesmo open source. Existe uma diferença técnica entre livre e open source, mas isso fica para outro dia). A idealização do Stallman ainda está longe de ser COMPLETAMENTE implantada (apesar de que, felizmente, boa parte do que ele tinha em mente foi difundido por aí). Por que eu estou falando isso? Bom, por acaso você conhece alguma pessoa (incluindo você mesmo) que utiliza um desses sistemas aqui? Mesmo os mais populares dentre eles (Parabola e gNewSense)??? Acho que não, não é?

E, o pior ainda, algumas empresas ainda tomam iniciativa para dificultar mais ainda a instalação de GNU/Linux em seus computadores. É claro que estou falando da Microsoft e do secure boot, incluído através da UEFI. Um exemplo prático: se você tem uma BIOS gráfica, toda moderna e tal, é bem provável que o seu computador tenha suporte a UEFI e, portanto (mas não necessariamente) ele deve possuir secure boot. Qual o problema do secure boot? É basicamente uma forma que a Microsoft inventou para impedir que software “malicioso” seja carregado e executado durante o boot do sistema (Windows). Isso dificulta a instalação de GNU/Linux, que fica sendo reconhecido como “malicioso”.

Então podemos sempre entrar na filosofia: isso é necessariamente algo ruim? Depende. Por mais que você cisme em ser fanboy e atacar a Microsoft, talvez seja mais inteligente pensar duas vezes antes de falar alguma coisa. A tentação pode não ser algo bom aqui. De qualquer modo, o UEFI dificulta bastante, em alguns modelos novos de notebooks, a vida de usuários de GNU/Linux. Isso significa que boa parte de potenciais novos usuários podem se afastar facilmente dele. O que também significa que os usuários que forem continuar a usá-lo provavelmente são mais fiéis à (política?) filosofica open source. Isso pode ser uma grande bobagem, ou não. Tudo depende desses usuários. Depois vou escrever um post falando melhor sobre o que eu penso disso.

Ah, isso foi um background. Talvez um pouco extenso…mas enfim. Eu disse que ia descrever a minha experiência, então vamos lá. Vou tentar fazer isso de modo mais ou menos cronológico.

A minha primeira distro foi o Ubuntu. Acho que ela é a primeira distro de muita gente (desde meados de 2010 até hoje que ele é popular, creio). Comecei a utilizar GNU/Linux em abril do ano passado, logo quando entrei na universidade. A minha motivação inicial para fazer isso foi mais simples do que parece: queria utilizar algo diferente. Nós humanos (ou jovens?) sempre, por natureza, somos curiosos e buscamos sempre experiências novas. A diferença é que nem todos buscam experiências muito boas.

Gostei bastante do sistema. Na época, por uma sorte inexplicável, a interface com a qual fiquei em contato foi o bom e velho GNOME 2.32. Por que sorte? Porque nessa época o Ubuntu da Canonical já adotava o Unity como interface padrão. E eu fui descobrir depois que eu não gostava do Unity (como interface). Muita gente não gostou dessa ideia de a Canonical resolver desenvolver o Unity…mas isso é outra história (tudo sempre é outra história, isso é inevitável. Ou então vamos ter um post falando sobre a história de tudo).

Por sinal, foi ao descobrir o Unity que eu entendi um pouco melhor a motivação e o projeto do Ubuntu. E passei a apoiar e a gostar disso, e a conhecer o grande Mark Shuttleworth. É graças ao Ubuntu que hoje em dia existem produtos como o Steam e o Skype para Linux. Pelo menos foi graças a ele que essas coisas passaram a existir logo nesse mundo.

Ah, aquela sorte que eu expliquei na verdade é bem explicável. Ela era inexplicável na época. A questão era que o Unity queria suporte 3D para rodar na minha placa gráfica, mas por algum motivo o software não foi instalado corretamente (automaticamente, na verdade…). Foi por isso que o GNOME assumiu. Bom, não importa. A questão é que isso proporcionou um ambiente user-friendly com o qual eu me senti bastante à vontade na época, tanto quanto no Windows 7.

Um mês depois, descobri que poderíamos escolher outras interfaces (eu chamava assim na época, é claro, mas os termos mais adequados são window manager e desktop environment). Resolvi experimentar o KDE (que sempre foi conhecido por ser rival do GNOME, diga-se de passagem).

Foi aí que comecei a aprender e descobrir um pouco da filosofia desse mundo. Tive que me cadastrar em alguns fóruns e realizar algumas pesquisas básicas para descobrir um pouco mais sobre como a coisa toda funcionava e o que eu deveria fazer para trocar de ambiente gráfico. Isso tudo foi muito bom e produtivo, é claro, pois me proporcionou bastante conhecimento na época. Bastante….hahaha, tenho que rir disso. Nós sempre achamos que aprendemos bastante quando sabemos só um pouquinho mais. Isso é bobagem. A humildade e o reconhecimento da própria ignorância são dois valores importantes. Quando mais você aprende, mais você sabe que não sabia e que paradoxalmente, ou não, continua sem saber. Essa é a beleza do conhecimento! A conclusão? Apenas abra os olhos, se você conhece alguém que diz que sabe (ou acha que sabe) bastante de alguma coisa, ou ela tem bastante experiência com aquilo, ou ela é ingênua no que diz respeito ao conhecimento. Maaaas enfim.

Instalei o KDE. Caramba, aquilo realmente era um mundo novo! Cheio de configurações e de personalizações, customizações, firulas e tudo o mais. E eu amava aquilo. A possibilidade de poder configurar praticamente todos os aspectos de cada programa e de alguns componentes do sistema, aquilo era uma coisa tão linda! Especialmente para quem não estava acostumado a fazer esse tipo de coisa, é claro. Eu me tornei fã do KDE durante muito tempo, estendendo a minha opção por ele durante muito tempo, inclusive em outras distribuições.

Ah, vale informar que eu instalei o KDE foi dentro do próprio Ubuntu. Podendo inclusive voltar para o GNOME a hora que eu quisesse. Estava descobrindo a beleza do que era um display manager. Os dois desktop environments ficavam instalados no sistema ao mesmo tempo, e eu poderia escolher qual deles eu gostaria de usar na hora do login.

Depois de um tempo fui descobrindo mais liberdades e me aventurando mais nesse mundo. Vou continuar essa história numa segunda parte desse post. Ainda tem bastante coisa para ser contada. Até lá!