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Séries com finais ruins

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Certo, a palavra trivia distingue bem computação/programação de outros tópicos.

Ultimamente, tive a sorte de ter escolhido boas séries para ver (motivação inicial, desde anos atrás: entender bem o inglês falado. Hoje isso está longe de ser minha motivação para ver séries: podcasts são muito melhores (=mais eficazes (ou eficientes?)) para se ouvir um idioma não-nativo, pelo menos isso é o que a minha experiência me diz.).

Escolher boas séries é importante, porque tomar a decisão de assisti-las do início ao fim é algo custoso, que toma bastante tempo. Então, no mínimo vale a pena parar para analisar se a série certa para você foi escolhida. Certo?

As 3 últimas séries que eu terminei de assistir (na ordem), assim como meus comentários pessoais (bem resumidamente, pois muito poderia ser comentado sobre elas, afinal, são vários minutos (horas!) de diálogos e entretenimento (ou não)) foram:

  • The Office (US). Humor sutil e inteligente, bem light, muitos personagens, dá para se apegar fácil a eles, situações do cotidiano. Mockumentary-style (~sitcom + documentary). Problema: a última temporada (9º) foi completamente chata (lembre-se de que é uma série de humor). Poderia ter terminado na oitava, e todos ficaríamos felizes com isso. O motivo é bastante simples: um dos personagens principais (O Michael -> Steve Carell) saiu na 8ª temporada, e isso simplesmente quebrou o ritmo e a fluidez da coisa.

  • How I Met Your Mother. OK, nunca fui um fã 100% dela, mas era legalzinha e light. Sitcom americana clássica. Problema: o último episódio rompeu completamente a evolução dos personagens e decepcionou uma base enorme de fãs (basta ver o thread de discussão do último episódio no Reddit).

  • Burn Notice. Parando para pensar agora, uma das poucas séries fora da categoria sitcom que eu assisti. É uma série de ação, meio policial (na verdade, de espionagem, pequena sutileza). Esse é um gênero que eu costumo evitar, simplesmente porque a maioria dos episódios tende a ser previsível (CSI é um ótimo exemplo de roteiro fixado). No entanto, fiz uma boa escolha, porque a direção dessa série é ligeiramente diferente (leia: menos previsível) do que séries típicas desse gênero. Terminei de ver o último episódio faz uns minutos atrás. Problema: a última temporada inteira (7ª). Podia ter parado na 6ª, ela tinha sido sensacional do início ao fim, depois a série simplesmente se perdeu.

Comentários:

  • Será que é tão difícil escolher fazer um final bom para uma série? Podemos parar para tentar definir o que é um final bom (ou bom final). Agradar os fãs? Deixar os personagens no seu estágio máximo de evolução (=maturidade)? Ocorrer algum evento clímax? Seja como for, para as três séries anteriores, nenhuma dessas coisas aconteceu.

  • Você sabe que escolheu uma série boa quando sente um sentimento de nostalgia / de vazio quando ela acaba. Das 3, HIMYM foi a que eu menos senti nostalgia (provavelmente porque o ruim foi o último episódio; diferentemente das outras duas, onde o que foi ruim foi a última temporada (inteira!)).

  • Passei a achar que assistir séries (mas não muitas, sem exagero, por favor!) é uma boa prática, por um número de motivos. Não vou explicitá-los agora, mas um deles é o fato de que você passa a achar os roteiros de filmes algo simples e previsível. Dado o fato de que em uma temporada muita coisa acontece com os personagens, sendo uma evolução usualmente complexa (e peculiar, para cada um deles), o espaço de tempo entre 1 e 2 horas que um filme te proporciona passa a parecer algo simples e fútil. É questão de contexto e relatividade, mas isso implica (no fim das contas) que, ao menos, os filmes que você escolher para assistir no futuro provavelmente serão escolhidos de maneira mais cuidadosa do que se você não assistisse série nenhuma. (OK, que argumentação extensa, já posso escrever uma dissertação sobre isso.)

  • Também achei uma boa prática escrever esse post. Às vezes faz bem fugir do tema central do seu blog (oi? Eu tenho um tema central por acaso?).

  • Isso poderia ser considerado off-topic, mas esse é um ótimo contexto para introduzir essa noção: descobri, na semana passada, que o meu estilo de escrita (o qual eu gosto bastante e, infelizmente, conheço pouquíssimas pessoas que gostam de escrever nesse estilo. Hum, provavelmente isso é bom, significa que meu estilo de escrita é razoavelmente original) foi fortemente influenciado pelo Douglas Adams (isto é, ele escrevia bastante num estilo no qual eu me inspirei para escrever dessa maneira, hoje). Descobri isso tendo terminado de ler (o original) The Salmon of Doubt: aproveito para deixá-lo como recomendação. É um livrinho bonzinho, bem light (já usei essa palavra pelo menos 3 vezes nesse post).

  • Só faltou falar do conceito de upstreamness de séries. OK, esse é um neologismo meu (acho que essa palavra não existe com o significado que eu adotei). Isso é um conceito bastante poderoso (=provoca uma boa influência), pelo menos é o que você passa a achar com o tempo. Acho que dá para entender o que significa, não é? Estou tomando emprestado o conceito de upstream de desenvolvimento de software. É basicamente o fato de você acompanhar uma série enquanto ainda há episódios em produção (isto é, em contraste com ver uma série que parou de ser produzida). Vou falar mais sobre o poder do conceito de upstream em um post futuro, só que com o significado voltado para open source e desenvolvimento de software mesmo. Deixa isso para depois.

Pronto, nada mais a acrescentar. Agora estou na fase de procurar uma nova série para ver. Isso não vai acontecer tão cedo: como eu disse, escolher uma boa série é um processo custoso. Mas, aceito recomendações.